Rescaldo dos Jogos Olímpicos

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Estamos em fase de rescaldos e de apreciações globais sobre estes Jogos Olímpicos que terminaram. Podia escrever aqui muita coisa, mas, no geral, não deveria ser muito longe do que vi escrito no DN Online. É um artigo que não vêm assinado mas que explana coerentemente uma análise realista (quanto a mim):

A derrota de Portugal na vitória da Europa

Há muitas maneiras de olhar para o quadro de medalhas ganhas pelos diversos países nos Jogos Olímpicos. De uma forma geral, o mundo faz a contabilidade principal dando preferência às medalhas de ouro - e aí ganhou a China (51) e com larga vantagem (36 para os EUA), invertendo de forma brutal a história da competição. Os Estados Unidos desta vez preferiram contabilizar pelo total - porque é a única forma de ficarem em primeiro: 110 contra as 100 do gigante asiático.
A União Europeia, por seu lado, pode e deve fazer uma contabilidade também própria. Neste espaço civilizacional, agora de 27 países, conquistou-se um total de 280 medalhas, 87 das quais de ouro.
Sem planos estatais específicos para esta Olimpíada, apenas como consequência de um normal investimento dos diversos governos e do rendimento que resulta da qualidade de vida deste espaço, a União Europeia somou mais medalhas que China e Estados Unidos juntos, e igualou o número de medalhas de ouro. Descontando o efeito de ter apresentado muito mais atletas, ainda assim estes resultados têm significado. É um excelente resultado para a União Europeia.
E é no contexto da União Europeia que devem ser apreciados os resultados do desporto português: normais em relação ao que estamos habituados, francamente maus se os considerarmos na realidade do espaço em que nos inserimos.
Algumas notas:
- Dos 27, apenas Luxemburgo, Malta e Chipre não tiveram medalhas;
- Grã-Bretanha (47 medalhas) e os países do eixo, Alemanha (41) e França (40), repetem no desporto os índices da economia;
- Itália (28) e Espanha (18, só menos quatro do que em Barcelona/92) cumprem o seu papel;
- A Holanda (16, com 7 de ouro) foi a estrela, a par do crescimento da Grã-Bretanha, rumo à organização dos próximos Jogos;
- Portugal (2) contribui com o mesmo número da Bélgica e da Estónia, no último lugar, atrás de Letónia, Áustria e Irlanda (3), Finlândia e Grécia (4), Suécia, Bulgária e Eslovénia (5).
Ou seja, o desporto retrata quase exactamente alguns outros índices económicos e sociais, e em todos Portugal anda pela cauda da União.
Esta situação deve ser um desafio ao Governo do País. José Sócrates, com habilidade política, afastou-se dos resultados, até por força da não deslocação a Pequim (enviou Pedro Silva Pereira e Laurentino Dias), mas não pode desresponsabilizar-se em relação ao futuro - ele e quem eventualmente possa ocupar as funções de primeiro-ministro no futuro. O Estado tem de canalizar mais verbas para o desporto de alta competição, e para a preparação do ciclo olímpico. E tem, igualmente, de ser bastante exigente para com o movimento associativo, ao qual, a partir de hoje, tem pelo menos a obrigação de pedir um novo presidente do COP que seja menos político e mais fazedor. Para desculpas e oportunismo tivemos em Pequim que chegasse. Os factos são conhecidos e Vicente Moura deve sair.

Retirado do DN Online

Só não concordo totalmente com o título (se pensarmos meramente em termos de participação dos atletas!). Para mim, a derrota de Portugal surge apenas em termos governativos e de gestão (má gestão). Isto num país que constrói uma carrada de novos campos de futebol, e não estádios como todos têm a mania de dizer, e que a muito custo se preocupa em apetrechar as modalidades olímpicas com estruturas básicas necessárias para o desenvolvimento das diversas modalidades. Eu ainda não me esqueci do que se passou com a pista coberta prometida e que esteve os anos que esteve ao abandono. De certa forma, continuam actuais as declarações angustiadas do Fernando Mamede nos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 1984! Noutro contexto…

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